sábado, 25 de novembro de 2017

O Mundo entre as duas guerras mundiais e os regimes ditatoriais


O MUNDO ENTRE AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS (1918 – 1939)

O mundo entre as duas guerras mundiais foi caracterizado por seguintes aspectos:

§  A subida de regimes totalitários ao poder (O Fascismo e o Nazismo);

§  Crises democráticas liberais;

§  Tensões sociais;

§  Crises económicas.



O Desenvolvimento dos EUA desde o fim da 1ª Guerra Mundial até 1929

A sociedade americana é caracterizada por uma estabilidade política, social e económica mais favorável em relação aos seus aliados europeus.

Os EUA dominavam a economia mundial com mais de metade da produção de petróleo, carvão mineral, ferro, aço, algodão e alumínio.



Situação económica

§  Na América havia mais de dois terço dos automóveis no mundo;

§  Era credor da Europa;

§  Assegura mais da metade da produção mundial.

Situação política

§  O clima político era estável e havia dois (2) partidos políticos que se alternavam no poder: Os Democratas e Republicanos.

§  O Partido republicano é que iniciou a Era da prosperidade, na década de 1920 nos EUA;

A prosperidade norte americana cria um novo modelo de vida na sociedade americana entre as classes médias – A sociedade de consumo.

Este estilo de vida exprime-se pela posse de bens materiais: casa, automóvel, telefone e aparelhos domésticos comprados a título de crédito.



Os factores que favoreceram a prosperidade dos americanos na década de 1920

§  Os americanos beneficiaram-se da Europa enfraquecida pela 1ª Guerra Mundial;

§  Viviam um bem-estar favorecido pela guerra mundial;

§  Eles foram os principais suportes dos aliados;

§  Houve progressos tecnológicos;

§  Concentração de empresas multinacionais;

§  Baixa de preços que favoreceram o maior consumo de produtos americanos;

§  A política de protecção a produção nacional;

§  Concessão de empréstimos bancários.

O presidente norte-americano Calvin Coolidge (1923-1929) declarou o interesse dos EUA em apoiar económica e financeiramente a Europa Ocidental e a Alemanha de uma maneira especial.

Os EUA viveram uma era de prosperidade até 1929, período a que seguiu a crise económica mundial.



A crise económica mundial (1929 – 1933)

A crise económica começou nos EUA e depois alastrou-se para o resto do mundo, sobretudo na Europa quando os EUA retiram os seus capitais da Europa para fazer face as dificuldades internas e os grandes bancos do velho continente (Europa) faliram.

A causa principal desta crise mundial foi, indubitavelmente, a superprodução alcançada pelos Estados Unidos da América.

A Áustria e a Alemanha, mais dependentes dos créditos americanos, são os primeiros países europeus a ser atingidos directamente pela crise, seguidos da Inglaterra e outros países ligados à economia inglesa como Portugal, Países Escandinavos (Dinamarca, Noruega e Suécia), Japão e a Bolívia. A paralisia económica dos países industrializados, também, atingiu os países subdesenvolvidos, pois as grandes potências deixaram de importar os seus produtos agrícolas e matéria-prima.



As consequências da depressão de 1929 – 1933, nos países capitalistas

§  Queda da produção agrícola e industrial;

§  Baixa de preços;

§  Falências;

§  Redução de salários;

§  Desempregos;

§  Políticas de austeridade.

Face à estes problemas, os governos democráticos sentem sérias dificuldades em resolver a crise.

Algumas forças políticas criticam o sistema democrático e reclamam a sua substituição por um regime forte e autoritário.

Como tentativa de superação da crise, os democratas alteraram a política seguida pelos EUA. Na área económica assiste-se de forma generalizada uma intervenção do Estado na economia,  Dirigismo económico.



A Política de New Deal (Nova Era/ Nova distribuição – Acordo)

O ano de 1932, foi mais dramático da depressão americana. Neste ano o candidato democrata, Franklim Delano Roosevelt, ganha as eleições presidenciais nos EUA e, é reeleito em 1936, 1940 e 1944. Logo que assumiu o poder, em 1933, Franklim D. Roosevelt anunciou uma Nova Política, capaz de recuperar a crise – o New Deal (influenciado pelas teorias do economista inglês, John Keynes – Teoria Geral do Emprego, Juro e da Moeda). Esta política propunha uma nova distribuição da riqueza.



Principais medidas tomadas

1.      De carácter económico

§  Controlo da banca, criando um fundo de garantia aos pequenos depósitos e estabilizar o valor de dólar;

§  Controlo da produção agrícola e industrial para evitar a superprodução e manter preços compensários (reduzindo as áreas cultivadas e produção industrial);

§  Controlo dos serviços de transportes e produção de energia eléctrica para desmantelar os grandes holding (sociedades financeiras detentoras de títulos de outras empresas) criando empresas públicas e sociedades mistas com participação maioritária do Estado);

§  Aumento dos salários dos operários através de crescimento do poder de compra e estimular a produção.



2.      De carácter social

§  Criação de postos de trabalhos através de lançamento de grandes obras públicas (estradas, vias férreas, barragens, bairros operários, alargamento de energia e água, etc.)

§  Concessão de subsídios aos desempregados;

§  Estabelecimento de salários mínimos e de horário semanal de trabalho;

§  Reforço de poder dos sindicatos e garantia de segurança social na velhice e na doença.

Assim o “New Deal” – Programa governamental para salvar o país da crise e evitar os abusos económicos que tinham provocado a depressão, orientou-se por duas vias distintas:

1.      Reforço dos sectores nacionais mais fracos (Agricultura e classe operária) e o

2.      Controlo rigoroso da indústria e das finanças do Estado.

O “New Deal” deu forte impulso à economia dos EUA, e resolveu parcialmente alguns problemas sociais. No plano político conseguiu evitar que os EUA, sofressem agitações sociais, perturbações políticas e tentativas de revoluções que abalaram muitos países da Europa.



A situação da crise na Inglaterra

Entre 1930 e 1932, Inglaterra viveu um dos piores momentos da sua história, devido a crise económica mundial. A situação foi tão grave que levou até constituição de um governo de “unidade nacional”, coligação de Partidos Conservador, Liberal e Trabalhista, dirigido pelo trabalhista Ramsay Mac Donald (1929 – 1935).

Para criar uma atmosfera de estabilidade e de confiança, este governo nacional adoptou uma política relativamente conservadora que consistia em:

§  Desvalorização da Libra de modo a tornar os preços dos produtos ingleses mais competitivos no mercado internacional;

§  Para absorver mão-de-obra disponível e fazer crescer a produção, o governo chefiado por Mac Donald dava subsídios aos agricultores e trabalhadores da construção civil e naval;

§  Para proteger a indústria nacional houve agravamento das taxas alfandegárias;

§  Formação de “um mercado comum” entre Inglaterra, países da Commonwealth e os países aliados para dominar o comércio mundial.

Depois dessas medidas foram esperados os seguintes resultados:

§  Recuperação da economia;

§  Redução do desemprego;

§  Melhorias de nível de vida dos trabalhadores assalariados;

§  Fortalecimento da tradicional democracia liberal inglesa.



A situação da crise na França

Na França, a crise tardou chegar, por isso foi menos violenta que o resto dos países industrializados envolvidos na 1ª Guerra Mundial. A incapacidade dos governantes em resolver a crise e o agravamento da situação socioeconómica conduziu ao país à solidariedade com os partidos da esquerda (comunistas e socialistas) com os sindicatos operários que culminara em fins de 1934 com a formação da “Frente Popular”, cujos objectivos foram de:

§  Precaver o perigo de um golpe de cariz fascista;

§  Sanar a crise económica;

§  Acabar com a instabilidade política e social.

Nas eleições realizadas em 1936, a Frente Popular saiu vitoriosa e levou ao poder, o socialista, Léon Blum.

As medidas tomadas pelo Léon Blum no poder, na França

1.      Ao nível político

§  Nacionalização dos Caminhos de Ferro e das indústrias bélicas (armamento);

§  Controlo dos bancos da França, através de forte intervencionismo estatal;

§  Desvalorização do Franco (moeda francesa), afim de relançar o comércio internacional;

§  Criação do departamento de trigo para regular a distribuição e o preço deste cereal.



2.      Ao nível social

§  Reconhecimento do direito sindical;

§  Reconhecimento dos direitos dos trabalhadores para duas (2) semanas de férias anuais pagas;

§  Aumento do salário;

§  Estabelecimento de horário semanal de 40 horas;

§  Estabelecimento de Delegados operários nas empresas com menos de 10 operários.



Situação de Moçambique durante a Crise Mundial (1929 – 1933)

A crise económica mundial de 1929, em Moçambique, provocou uma redução galopante dos preços dos principais produtos comercializados no mercado internacional, naquela época, tais como: Amendoim, milho, copra, açúcar e o sisal. Apenas as culturas de caju (Amêndoa) e algodão ainda estavam em alta.



AS CONSEQUÊNCIAS DA CRISE ECONOMICA MUNDIAL (1929 – 1933)

Esta crise trouxe consequências duradouras na políticas e economia no mundo:

1.      A nível político

A crise provocou a Intervenção do Estado (Dirigismo Económico) nas economias tradicionais:

§  Nos Estados Unidos da América, o governo federal reforçou-se, em detrimento dos governos dos Estados;

§  Na França, o governo de Laval, obteve plenos poderes para governar por decretos – leis;

§  Na Itália, o Duce Benito Mussolini (1922 – 1945), colocou sob a autoridade fascista todas as corporações económicas do país;



2.      A nível económico

§  A crise favoreceu a concentração de empresas e as fracas faliram;

§  A crise provocou o reforço e a multiplicação de barreiras alfandegárias em defesa dos produtos nacionais;

§  Nos Estados Totalitários (Alemanha e Itália) estimulou a autarca (economia “fechada” pela qual o país pretendia se tornar auto-suficiente).



Na arena internacional, a crise teve consequência, tais como:

§  A anulação das indemnizações que a Alemanha deveria pagar aos aliados pelos danos feitos na 1ª Guerra Mundial (1914 – 1918);

§  Avivou as hostilidades políticas e rivalidades em termos económicos;

§  Estabelecimento das ditaduras na Alemanha, Itália e Espanha, assim como um clima favorável a eclosão da Segunda Guerra Mundial;

§  Incremento das indústrias de guerra;

§  O desemprego e aumento das tensões internacionais.



REGIMES FASCISTAS NO MUNDO

1.      Itália (1922-1945) Benito Mussolini

2.      Alemanha (1933-1945) Adolfo Hitler

3.      Espanha (1939 – 1975) General Francisco Franco

4.      Portugal (1933-1974) António Salazar e Marcelo Caetano

5.      Argentina (1943-1955) Coronel Juan Perón

6.       Japão (1933-1945) Imperador Hiro Hito.



O FASCISMO E O NAZISMO

I.                   O Fascismo na Itália (1922 – 1945)

Fascismo (fascio = feixe) é uma organização política do governo totalitário de uma sociedade exercida por uma ditadura de um só partido nacionalista, militarista, imperialista e devia incluir no Estado uma forma corporativa, sendo caracterizada pelo predomínio do poder executivo e a integração de um Partido único do Estado que luta contra todo tipo de liberdades.

Na Itália, o Fascismo tem suas origens em 1919, ano em que Benito Mussolini formou o destacamento fascista conhecidos por camisas negras[i] que eram para-militares.

O destacamento fascista tinha como objectivos:

§  Perseguir e punir grevistas operários;

§  Atacar e desmantelar todo o tipo de organização sindical e partidária que manifesta ideologias socialistas, comunistas ou popular.

Neste âmbito, Benito Mussolini abandona o Partido Socialista em 1920 e de imediato fundou o Partido Nacional Fascista (NF) que defendia a reforma da constituição e a instituição de um governo centralizado.



A subida de Benito Mussolini ao poder

Benito Mussolini aproveitou o clima de agitação social que se verificou no Norte da Itália (greves e ocupações de fábricas) e no Sul (ocupação de terras) entre 28 e 30 de Outubro de 1922. Mussolini organizou a grande “Marcha sobre Roma”, na qual participaram cerca de 60 mil camisas negras o que significou um golpe de Estado. Neste âmbito, o Rei Victor Manuel III convida Mussolini a formar governo e instaurar a ditadura fascista na Itália. O Fascismo teve um grande apoio dos círculos militares e da burguesia radical, na sua fase inicial.

Nas eleições realizadas em 1924, o Partido Fascista ganhou, e Benito Mussolini tornou-se o Senhor Absoluto da Itália – O II Duce (Comandante militar, o ditador absoluto de toda a Itália).

Os princípios fundamentais do Fascismo italiano

§  Primazia do Estado sobre o indivíduo (“tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”);

§  Culto do Chefe: concentra todos os poderes e a quem tudo se submete;

§  Militarismo: importância das milícias armadas às ordens do Chefe (“os camisas negras”);

§  Nacionalismo e imperialismo: em ordem a fazer uma Itália grande, herdeira das glórias de Roma Antiga.

Medidas tomadas com a chegada de Benito Mussolini no poder (1922 – 1945)

1-      Na política interna

§  Supressão de partidos da oposição

§  Criação de uma polícia ao serviço do Estado para reprimir os inimigos do regime;

§  Perseguição e morte dos principais líderes de partidos socialistas;

§  Imposição de uma rígida censura sobre os escritores, jornalistas, etc;

§  Substituição do Parlamento por uma “câmara corporativa” em que os deputados representavam associações de patronais e sindicatos;

§  Aproximação da Igreja através do Tratado de Latrão em 1929;

§  Decreto do casamento católico com efeitos civis;

§  Ensino da religião torna-se obrigatório.



2-      Na política externa

§  Estreitamento de relações com Alemanha de Hitler

§  Desencadeou a política expansionista e conquista: Abissínia na Etiópia (1935) e Albânia em 1938;

§  Participou na guerra civil espanhola, em 1937.



3-      A nível social

§  Redução de desemprego através de obras públicas (construção de estradas, aquedutos, pontes, etc.)

§  Aumento da produção de trigo para dispersar as importações;

§  Proibição da greve;

§  Incentivo a natalidade para tornar a Grande Itália;

§  Criação de sindicatos de empregados e patrões (O corporativismo)

O Corporativismo é um sistema político em que as corporações profissionais representadas por patrões e empregados são a base da sociedade.

Corporativismo é um meio de evitar a luta de classes e de afirmar o poder de Estado, através da fiscalização eficiente das actividades profissionais.



As três (3) condições do corporativismo

1.      Um Partido único para que a disciplina económica derive da disciplina que una todos os cidadãos numa fé comum;

1.      Um Estado totalitário que absorva todas as energias, interesses e esperanças dum povo;

2.      É preciso viver num período de muita alta tensão idealista.



II.                O Nazismo na Alemanha (1933 – 1945)

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores (operários) da Alemanha mais conhecido por Partido Nazi foi fundado por Adolf Hitler, em 1919, em Munique. Ele nasceu na Áustria, era um cabo durante a primeira guerra mundial, um homem com uma estatura física baixa.

A ideologia Nazi foi exposta na sua obra “minha luta” que significa em alemão Mein Kampf. Esta obra foi escrita na prisão em 1923.

O Partido Nazi defendia o seguinte:

§  Nacionalismo – União de todos os territórios de língua alemã num só Estado, a grande Alemanha. Defendia a anulação do Tratado de Versalhes e a necessidade de colonização;

§  Racismo – Defesa da raça ariana o que considera a mais pura. Para evitar que a Alemanha que fosse contaminada por outros povos inferiores a raça ariana. Propõe a submissão de outros Estados e a eliminação física dos judeus;

§  Totalitarismo – Concepção de um Estado forte e centralizado, dirigido pelo Partido Nazi e pelo seu Fuhrer (Chefe ou Duce com poderes absoluto). Assim a doutrina Nazi opõem-se à democracia e ao parlamentarismo.

Para ele, os alemães pertenciam a raça pura e superior (a raça ariana). A sua missão era conservar a pureza da raça, eliminando os elementos fracos, deficientes físicos e não tolerava a mistura com outras raças, julgadas inferiores, gerando ódio mortal e perseguição dos judeus (Anti-semitismo).



A estabilização económica da Alemanha, entre 1924 e 1929, foi graças a assistência financeira anglo-americana (o plano Dawes), aprovado em Londres, em Julho e agosto de 1924 que visava o seguinte:

§  Criação de condições para que a Alemanha pudesse pagar as indemnizações às potências vencedoras da 1ª guerra mundial.

§  Diminuição do emprego e o descontentamento popular afim de evitar uma revolução no país.

A crise capitalista de 1929 – 1933, afectou negativamente a economia alemã devido a dependência em relação a Inglaterra e aos EUA. Em 1932, a produção industrial baixo mais de 50%, o desemprego aumentou e a situação dos camponeses agravou-se cada vez mais.

Face a isso, na Alemanha houve revoltas, greves dos operários com o apoio do partido comunista. O crescimento do movimento operário despertou o receio da burguesia e dos latifundiários que passaram a apoiar mais os fascistas em particular o Partido Nazi.



A subida do Hitler ao poder (1933-1945)

Em Janeiro de 1933, Adolf Hitler (1889-1945), ascendeu ao poder como chefe do governo (Primeiro Ministro) – Chanceler alemão.

Em 1934, Adolf Hitler apoderou-se de todos os poderes devido a morte do presidente alemão, Paul von Hindenburg (1847-19334). Hitler instituiu a ditadura fascista que perdurou até 1945, ano da capitulação incondicional da Alemanha.

Principais medidas tomadas pelo Adolfo Hitler no poder

§  Ilegalização dos Partidos da oposição;

§  Censura sobre a imprensa, rádio, cinema, jornais e teatro que passaram a servir como instrumentos de propaganda do regime;

§  Estabelecimento do Serviço militar Obrigatório (SMO);

§  Dissolução do Parlamento;

§  Instituição de prisão de comunistas e sociais democráticas;

§  O poder legislativo é absolvido pelo executivo;

§  Controlo governamental da economia;

§  Eliminação do desemprego através de obras públicas (Construção de estradas, aquedutos, barragens, alargamento de água e energia, etc);

§  Ocupação da Renânia e a perseguição dos judeus e comunistas;

§  Expulsão na função pública de indivíduos de raça não ariana;

§  Abolição sistema feudal;

§  Anulação do Tratado de Versalhes e Saint-Germain;

§  Estabelecimento do projecto da Grande Alemanha;

§  Criação da polícia secreta (GESTAPO);

§  Criação das tropas de assalto (S.A e S.S);

§  Produção de armamento moderno;

§  Estabelecimento de uma política expansionista e militarista;

§  Abolição das greves, etc.

A partir de 1939, a Alemanha tornou forte ou seja era uma forte potência capitalista da Europa e do mundo, superada apenas pelos Estados Unidos da América.



III.             O Franquismo na Espanha (1939 – 1979)

Após a Primeira Guerra Mundial, a Espanha atravessou uma fase de crise capitalista de 1929. Isso agravou a situação de vida dos espanhóis e o desemprego acentuou-se. Foi neste contexto que vai crescer a adesão popular aos sindicatos e partidos da esquerda inspirados nos ideias socialistas.

No entanto, os grandes capitalistas espanhóis (empresários e proprietários) temendo a perda do seu património apoiam as ideias da extrema-direita para se implantar um governo mais forte capaz de impedir o avanço do comunismo. Foi nesse contexto que as forças da extrema-direita lideradas pelo Rei Afonso XIII, realizam um golpe de Estado, a 13 de Setembro de 1923.

Em 1923, conduziu ao poder o General Miguel Primo de Rivera da Catalunha que constituiu uma ditadura militar que se prolongou até a sua demissão em 1930.

Mesmo com Primo de Rivera no exílio e a abdicação do Rei Afonso XIII do poder, a contestação popular continuava, agravando o nível vida e condições condignas do povo, por isso em 1931 proclamou-se a República para amainar o fervor popular.

Foi neste contexto que em 1936, fez-se uma coligação de partidos políticos da esquerda (Socialistas, comunistas e republicanos), formando a Frente Popular que ganharam folgadamente as eleições legislativas na Espanha.



A guerra civil espanhola (1936-1939)

Em 1931, na Espanha houve a queda da 1ª República e a ascensão e fundação da 2ª República que tinha posto fim a ditadura de General Miguel Primo de Rivera (1923-1931) na Espanha e o Rei Afonso XIII foi obrigado a abdicar o poder.

Foi neste âmbito que surge um conflito entre os Conservadores nacionalistas liderados por General Francisco  Franco e os liberais republicanos com os Partidos da Frente Popular.

A 17 de Julho de 1936, houve primeira tentativa de Golpe de Estado, contra o governo republicano, mais conhecido por Frente Popular, na Espanha.

Este fracasso foi o prelúdio de uma longa guerra civil entre os republicanos apoiados pela URSS e os nacionalistas do General Francisco Franco apoiados pelos fascistas (Itália e Alemanha).

Os fascistas apoiaram os nacionalistas na guerra espanhola como formar de testar a sua maquinaria de guerra e os seus exércitos. Por exemplo a Itália queria conquistar o mediterrâneo enquanto Alemanha queria estreitar laços com a Itália para abandona a política de protecção da Áustria.

No dia 1 de Novembro de 1936, assinou-se o Pacto eixo “Berlim-Roma” e mais tarde, foi reforçado com a adesão do Japão, em 1940 quando assinou, o pacto eixo Berlim-Roma-Tóquio para eliminar o comunismo internacional.

Na guerra civil espanhola a Inglaterra não participou por desconfiar da política da URSS. No entanto, desde o início do conflito, Inglaterra, sempre apoiou o governo dos republicanos espanhóis.

A França não participou porque estava atrasado em termos bélicos e temia que a guerra podia prolongar-se até a França.

Os nacionalistas do General Francisco Franco contavam com o apoio fascista e pouco-a-pouco venceram os republicanos.

Em 1939, foi destruído o último foco de resistência republicana na Espanha. Porém, ao contrário do que se esperava a Espanha do General Francisco Franco na Segunda Guerra Mundial não apoiou a Alemanha nem a Itália. O regime Franquismo na Espanha durou cerca de 40 anos, onde perdurou de 1939  até 1975.

Após a sua morte e a implantação da monarquia, com o coroamento do Rei Juan Carlos de Bourbon, o Partido Socialista Operário Espanhol assumiu a liderança política com Filipe González.



IV.             O Salazarismo em Portugal (1933 – 1974)

Antecedentes (1910-1926)

Até 1910, Portugal vivia ainda uma monarquia sob égide de uma monarquia liderada por Dom Manuel II. Porém, a situação em a monarquia se encontrava no século XIX e início do século XX não permitiu a sua continuidade.



Causas que levaram a queda da monarquia portuguesa, em 1910

§  Devido ao mapa Cor-de-Rosa, no qual os britânicos deram ultimato ao rei de Portugal em 1890, na qual os britânicos, representados por Cecil Rhodes, queriam unir as cidades de Cabo (África do Sul) e Cairo (Egipto) incluindo Moçambique construindo uma linha férrea.

§  A crise económica que se manifestava através de deterioração das condições de vida, custo de vida elevado, baixos salários, inflação da moeda, sobretudo nas camadas mais baixas e médias da população;

§  A sangria de fundos devido ao esbanjamento que a monarquia fazia dos fundos do Estado para suportar os seus caprichos, o que levou a regicídio[ii] do Rei Dom Carlos e do Principe herdeiro em 1908.

Os republicanos devido as clivagens com a monarquia, o rei foi deposto na manhã do dia 5 de Outubro de 1910. Com a queda do Rei e da Monarquia foi implantada a República portuguesa. Teófilo Braga liderou o novo governo provisório e preparou as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte.

A Constituição de 1911, garantia a liberdade burguesa ao povo português como por exemplo:

§  A liberdade de expressão e de pensamento;

§  A liberdade de imprensa;

§  A igualdade perante a lei;

§  A separação dos poderes (Executivo, legislativo e Jurídico)

O poder executivo estava ligado ainda ao legislativo o que levou a primeira situação da crise política e económica na jovem República que foi marcada de indisciplina, violência e de absentismo.

Em 1912, deu-se a primeira sublevação, quando os operários dos principais centro urbanos (Lisboa e Porto) paralisaram a economia numa greve geral exigindo melhorias das suas condições de trabalho. As greves alastraram até as colónias.

Em 1917, Lourenço Marques, actual Maputo, houve greve dos trabalhadores ferro-portuários, pois a maior parte era de origem portuguesa e sentia os mesmos problemas.

Após a Primeira Guerra Mundial, Portugal enfrentou uma grande crise financeira numa onda constante de tensão social que conduziu ao golpe de Estado militar a 28 de Maio de 1929 conduzido por General Gomes da Costa. Era fim da primeira República. Para casos de Moçambique e Angola a economia era gerida, ainda,
por capitais estrangeiros não português.


O Salazarismo em Portugal (1933-1974)

No início do século XX, Portugal sofreu uma reforma política que instituiu um governo de carácter republicano. A nova forma de organização do cenário político não foi capaz de resistir a todos os problemas sofridos no continente europeu, face a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a crise de 1929-1933. A situação calamitosa da população trabalhadora acabou instaurando um cenário politicamente instável aproveitado pelos militares, que realizaram um golpe de Estado em 1926. Esse golpe resultou numa das mais duradouras ditaduras da Europa, o Salazarismo, iniciado em 1932 com a ascensão de Salazar ao poder.

Inspirado em ideias de extrema direita, o governo ditatorial impunha suas acções e realizava franca oposição aos movimentos socialista e comunista do país. Esse processo de cisão política alcançou seu auge quando o General António Carmona assumiu o poder do governo lusitano. Fortemente influenciado pelos ideias partidos nazi-fascista, ele elaborou a Constituição de um Estado forte aclamado pelas élites nacionais.


Ao ocupar o cargo de primeiro-ministro em Portugal, Carmona convocou António de Oliveira Salazar para assumir a pasta do Ministério da Fazenda. Durante o tempo em que esteve nessa função, Salazar promoveu um conjunto de acções económicas que favorecia directamente a grande burguesia lusitana. O apoio concedido a esse sector acabou por conduzi-lo ao governo português em 1932.

Na condição de chefe de governo, António Salazar impôs uma Nova Carta Constitucional com traços explicitamente inspirados nos princípios do fascismo italiano. O novo documento estabeleceu a censura dos meios de comunicação, a proibição dos movimentos grevistas e a criação de um sistema político unipartidário. A partir de então, instalava-se uma das mais duradouras ditaduras criadas na Europa.

Somente com a morte de Salazar, acontecida em 1970, um movimento revolucionário de carácter liberal tomou conta do cenário português. Em 1974, o movimento de transformação política atingiu seu auge com a deflagração da chamada Revolução dos Cravos. Somente após esse episódio, Portugal conseguiu dar fim a um dos mais trágicos momentos de sua história







[i] Camisas negras – era um sinal de luto na Itália.
[ii] Regicídio é o assassinato do rei


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